terça-feira, 29 de julho de 2014

Parece que foi ontem


Depois de tanto tempo percebi quanto tempo vivi e não observei que o meu tempo voou. Foi mais rápido que a velocidade da luz.

Neste refletir, recordações tomaram conta da minha memória e as saudades me fizeram pensar nas lembranças de um tempo que lágrimas cristalizaram na orla dos meus olhos.
Pensava na minha infância quando ainda engatinhava, nos primeiros passos, nas minhas corridas e quedas que não percebi que entre um momento e outro minha vida caminhou e junto a ela eu cresci.

Fui descobrindo, aprendendo, iniciando relação, tendo meus primeiros sentimentos e os primeiros amores começaram a surgir e tinha sempre aquela incógnita porque não sabia como lidar com algo que não era real, sentia o abstrato mexer com os meus sentimentos e ao mesmo tempo com o metabolismo que me deixava com o coração palpitante e acelerado. As emoções percorriam pelos poros deixando sempre aquela incerteza que quase me matou de curiosidade; a ansiedade tomou um poder dentro do meu corpo que sem perceber eu comecei a pensar, repensar e ao mesmo tempo que pensava já mudava de ideia, muitas vezes discutia comigo mesmo por pensar duas possibilidades ao mesmo tempo e o pior, sabia que isso não poderia ser porque iria contra a minha própria vontade. Essa luta foi até ter os primeiros desamores e quando descobri minhas fraquezas, as dúvidas aumentaram e minha vulnerabilidade se fez presente.

Vulnerabilidade, palavra grande e assustadora, mas é assim: pensamos, desejamos, construímos e ao mesmo tempo destruímos e quando menos percebemos fazia o que menos havia pensado ou desejado e quando me via, já havia feito a cara de tacho e tinha que manter a pose pra não demonstrar minha fraqueza ou o meu horror para aquilo tudo.

Assim foi até a maturidade, que quando chegou, parecia que tudo ia mudar, que tudo seria do meu jeito e do meu gosto. Pobre menino ingênuo, não percebi que antes de mim, quase metade da população já tinha feito esse caminho. Novas decepções,  novas descobertas e a vida foi seguindo seu rumo. Até que um dia percebi que já tinha me formado, estava produzindo e ainda não tinha consciência do tempo que já havia feito e da idade que me encontrava.

Só agora na maturidade é que pude perceber que o tempo passou e aí comecei a entender que a maturidade traz uma certeza de que tudo que pareceu ser não é e que nada e nenhum dia é igual ao outro, mas pude ter certeza de uma coisa: eu vivi tudo o que quis e não me arrependo de nada. 

Erros e acertos foram bons pra tomar mais consciência de mim, mas aprendi que se cheguei até aqui, foi por vontade própria e pelo caminho que escolhi e agora tenho certeza de uma coisa só. É esse caminho que sigo agora certo de mim e da minha vida, porque se fiz essa estrada pra chegar aqui foi porque ela me inspirou e me deu para viver.


Só posso dizer: “obrigado minha vida por tudo que você me proporcionou. Posso não ter nada daquilo que quis, mas tenho tudo que me fez ser o homem que hoje sou.”


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