Neste refletir,
recordações tomaram conta da minha memória e as saudades me fizeram pensar nas
lembranças de um tempo que lágrimas cristalizaram na orla dos meus olhos.
Pensava na minha
infância quando ainda engatinhava, nos primeiros passos, nas minhas corridas e
quedas que não percebi que entre um momento e outro minha vida caminhou e junto
a ela eu cresci.
Fui descobrindo, aprendendo,
iniciando relação, tendo meus primeiros sentimentos e os primeiros amores
começaram a surgir e tinha sempre aquela incógnita porque não sabia como lidar
com algo que não era real, sentia o abstrato mexer com os meus sentimentos e ao
mesmo tempo com o metabolismo que me deixava com o coração palpitante e
acelerado. As emoções percorriam pelos poros deixando sempre aquela incerteza
que quase me matou de curiosidade; a ansiedade tomou um poder dentro do meu
corpo que sem perceber eu comecei a pensar, repensar e ao mesmo tempo que
pensava já mudava de ideia, muitas vezes discutia comigo mesmo por pensar duas
possibilidades ao mesmo tempo e o pior, sabia que isso não poderia ser porque
iria contra a minha própria vontade. Essa luta foi até ter os primeiros
desamores e quando descobri minhas fraquezas, as dúvidas aumentaram e minha
vulnerabilidade se fez presente.
Vulnerabilidade,
palavra grande e assustadora, mas é assim: pensamos, desejamos, construímos e
ao mesmo tempo destruímos e quando menos percebemos fazia o que menos havia
pensado ou desejado e quando me via, já havia feito a cara de tacho e tinha que
manter a pose pra não demonstrar minha fraqueza ou o meu horror para aquilo
tudo.
Assim foi até a
maturidade, que quando chegou, parecia que tudo ia mudar, que tudo seria do meu
jeito e do meu gosto. Pobre menino ingênuo, não percebi que antes de mim, quase
metade da população já tinha feito esse caminho. Novas decepções, novas descobertas e a vida foi seguindo seu
rumo. Até que um dia percebi que já tinha me formado, estava produzindo e ainda
não tinha consciência do tempo que já havia feito e da idade que me encontrava.
Só agora na
maturidade é que pude perceber que o tempo passou e aí comecei a entender que a
maturidade traz uma certeza de que tudo que pareceu ser não é e que nada e
nenhum dia é igual ao outro, mas pude ter certeza de uma coisa: eu vivi tudo o
que quis e não me arrependo de nada.
Erros e acertos foram
bons pra tomar mais consciência de mim, mas aprendi que se cheguei até aqui,
foi por vontade própria e pelo caminho que escolhi e agora tenho certeza de uma
coisa só. É esse caminho que sigo agora certo de mim e da minha vida, porque se
fiz essa estrada pra chegar aqui foi porque ela me inspirou e me deu para
viver.
Só posso dizer: “obrigado
minha vida por tudo que você me proporcionou. Posso não ter nada daquilo que
quis, mas tenho tudo que me fez ser o homem que hoje sou.”
